Salve , salve.
Li esse texto em uma outra pagina e achei interessante, decidi compartilhar.

"Quarta-feira, véspera de feriado, fui ao Centro rodar pelos lupanares, ver as meninas e passar o tempo em reflexões que só me ocorrem no campo de batalha. Sou um personagem antigo nos fóruns, poderiam me chamar de decano, esse eufemismo que usam para anciãos em fim de carreira. Produzi muito conteúdo, escrevia ininterruptamente, um vício que vem da força das profissões que exerço e do meu próprio prazer em articular o pensamento pela escrita. Por ser antigo em sites como este e ter passado por um longo período de muita atividade, ganhei fama, uma fama que ainda perdura entre os que foram da velha guarda. Quando você ganha fama, não importando o universo em que ela ocorre, você também passa a ser cercado por lendas, histórias obscuras, difamações e outros acessórios. Cito difamações porque, geralmente, invenções ruins se sobrepõem à melhor face de um personagem reconhecido.

Por diversas vezes, algum forista mais antigo se aproxima de mim e me lança um recorrente papo furado.

- Ah, Dante, mas você sabe que muitos não gostam de você...

Então, questiono quem são “os muitos” que não simpatizam comigo e quando a resposta surge (quase sempre o interlocutor embroma), remetem com muito esforço a um único nome insignificante qualquer. Aprendi que quando alguém chega com a sentença de que “muitos não gostam de você”, a quantidade indeterminada que ele descreve costuma se resumir somente ao arauto do ódio. Ou seja, quem me diz que muitos não gostam de mim é justamente aquele que não gosta de mim. Foi um aprendizado valioso para ignorar e reconhecer os imbecis de plantão. Por coincidência, ontem fui obrigado a experimentar essa reeditada e diarreica experiência quando estava dentro da Uisqueria 65. É importante descartar opiniões que são irrelevantes por trazerem como única intenção o desejo de desqualificar o indivíduo mais atuante dentro das metas de uma comunidade.

Há pessoas bacanas em fóruns? Há, com certeza. Raríssimos personagens, mas existem. No entanto, se um forista da nova safra me pedisse um conselho sobre como conduzir a sua participação, eu o aconselharia a não se misturar. A boemia é um prazer solitário, que pede a companhia apenas de uma boa cortesã. Homens juntos em ambientes promíscuos ficam piores do que mulheres mexeriqueiras num salão repleto de manicures e pedicures. A fofoca masculina e o recalque da testosterona são muito mais tóxicos do que a malícia feminina. Homens tendem à covardia. Não há amizade nesse meio, eu diria que nem sequer há camaradagem. No máximo, o que prevalece é a necessidade de plateia.

Após esse prefácio meditativo, entrei no Clube 502, na rua da Alfândega. A casa estava cheia, fui informado que todos os quartos se encontravam ocupados. Um número razoável de mulheres faziam presença na pista, clientes em boa quantidade também. Não vi nenhuma menina que eu pudesse classificar como top model, talvez por elas não existirem mais em nenhum puteiro. Deixei a 502 e fui para o trash 119, da mesma rua da Alfândega. Boate cheia, muitas mulheres disponíveis e atraentes, mas encontrei a minha musa um pouco distante e ocupada. Entrei na 4x4, estabelecimento que eu não frequentava há anos, fiquei por pouco tempo, encontrei um clima gélido e insuportável, semelhante a um cartório. Saí e andei até a Uisqueria 65, que estava com algumas mulheres, não tantos clientes quanto as duas casas anteriores que visitei, mas com alguns desbotados foristas presentes.

O que se constata, de uma forma muito evidente nos dias atuais, é uma aura de tristeza em todas essas grandes casas que trazem o peso de um passado de renome. Não é nostalgia, é melancolia, algo semelhante a um enfermo estirado numa cama de UTI, à beira da morte e sem a menor ideia de quais poderiam ser as últimas palavras para pronunciar, pois o tempo para um desfecho glorioso se esgotou. As top models sumiram dos cabarés cariocas, a alegria também.

Não comi ninguém. Encontrei por acaso o colega Piu e o convidei para irmos à saideira na Vila Mimosa. Passamos pela Mosaico, abraçamos a gerente que aniversariava, penetramos nos corredores da zona, a maior ilha de libertinagem do Rio. O cenário não se mostrava muito diferente do marasmo do Centro. É óbvio que a prostituição não irá acabar, mas ela está profundamente abatida. Encontra-se muito mais entusiasmo pelas ruas da Lapa do que em qualquer bordel da cidade. Uma doença contaminou os puteiros, uma hibernação depressiva unida à inépcia dos gestores para manobrarem diante da realidade econômica do país. A solução? Não me pergunte, sou apenas o passageiro, não o piloto. "